O espetáculo utiliza “A farsa de Inês Pereira” como pano de fundo para contar a biografia de Gil Vicente, bem como o contexto histórico em que esta história se passa.
Inês, moça simples e casadoura, mas, com grande ambição procura marido que seja astuto, sedutor. A mãe de Inês, preocupada com a sua filha, sua educação, incita-a a casar com Pero Marques, pretendente arranjado por Lianor Vaz. No entanto, Inês Pereira não se apraz do filho do lavrador, por este ser ignorante e inculto. Entram então em cena dois casamenteiros judeus, e Inês se casa com um escudeiro, de sua graça Brás da Mata.
Este casamento depressa se revela desastroso para Inês, que por tanto procurar um marido astuto acabou por casar com um que antes de sair para a guerra, dá ordens ao seu moço que fique a vigiar Inês e que a tranque em casa de cada vez que sair à rua. Meses após a sua partida, Inês recebe a prazerosa notícia de que o seu marido foi morto por um pastor. Não tarda em querer casar de novo e, nesse mesmo dia, chega-lhe a noticia de que Pero Marques continua casadoiro, de resto como ele havia prometido a Inês quando do primeiro encontro de ambos.
Inês casa com ele logo ali e, já no fim da história, aparece um ermitão que se torna amante da protagonista.
O ditado "mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube", não podia ser melhor representado do que na última cena da obra, quando o marido a carrega em ombros até ao amante, e ainda canta com ela "assim são as coisas".
Em meio essa história, Gil Vicente trava um desafio com o seu opositor Pero Marques, para provar que ele mesmo escreve e dirige as peças que levam seu nome como autor.
Milena Frare
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Beijosss da Pro
Quem assistiu ao espetáculo Inês – Gil Vicente por ele mesmo da Cia dos Ícones na quinta-feira (07 de junho) no Teatro Maria Della Costa em
sessão para convidados, presenciou uma sessão memorável, vibrante, de puro deleite teatral. Digo teatral e não artístico, o que talvez ampliasse melhor seu sentido, por ter sido aquela, belíssima exibição do que pode o teatro.
Precisa do começo ao fim a peça sustenta seu ritmo vibrante graças a um conjunto harmônico dos elementos que a compõe que culminam na interpretação espetacular dos atores. O que nos motiva na interpretação de Inês é a vida que ali se revela em cada gesto ou palavra com simplicidade bombástica. Tudo faz de Inês o espetáculo que é, a direção primorosa no encadeamento das cenas, a qualidade das intervenções musicais da magnífica banda ao vivo e até mesmo a ilusão ingênua criada pelo cenário demodé, mas é o elenco afinadíssimo de atores que faz desta montagem, linguagem contemporânea. Não porque proponha, critique ou indague mas porque se faz presente, plenamente presente, audaciosamente presente, vivaz, porque é alegre e faz rir.
Resultado de uma pesquisa de cinco anos o espetáculo Inês - Gil Vicente Por Ele Mesmo é uma adaptação da peça "Farsa de Inês Pereira" do mestre português, provocando o interesse pelo entretenimento e não apenas pelo documento Gil Vicente, o primeiro autor teatral na literatura portuguesa. A Cia dos Ícones trabalhando com um público de escolas, longe dos holofotes da mídia vem fazendo a cena teatral contemporânea. Para aqueles menos interessados neste circuito "escolar" do teatro, vale a pena ousar ver Inês – Gil Vicente por ele mesmo.
Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/film-and-theater-studies/1636235-cr%C3%ADtica-teatral-in%C3%AAs-gil-vicente/#ixzz24t0EWe5J
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